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CASAMENTO
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Meu marido, se quiser
pescar, pesque,
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Eu não. A qualquer
hora da noite me levanto,
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ajudo a escamar,
abrir, retalhar e salgar.
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É tão bom, só a gente
sozinhos na cozinha,
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de vez em quando os
cotovelos se esbarram,
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ele fala coisas como
'este foi difícil'
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'prateou no ar dando
rabanadas'
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O silêncio de quando
nos vimos a primeira vez
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atravessa a cozinha
como um rio profundo.
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Por fim, os peixes na
travessa,
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Coisas prateadas
espocam:
Adélia Prado, Poesia
Reunida, p. 252 |
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