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TUDO CONTA, OU MELHOR, SE CONTA EM PESCARIA
 EZEQUIEL THEODORO DA SILVA

Certa ocasião, fui pescar com o meu amigo Pé Moído lá pelas bandas do Jamari. Quando a gente estava descendo o rio, demos de cara com um cardume imenso de apapás. Eram tantos que faziam a superfície da água ficar amarela que nem gema de ovo. Deu competição entre o Pé Moído e eu: quem pegaria mais peixes ? Para sair dessa com a sucesso, peguei uma artificial cavalona, engatei uma linhada zero oitenta com quinze anzóis na última garatéia, arremessei bem longe e recolhi com toda força. Peguei dezoito apapás de uma só vez ! E tenho foto para registrar essa estrondosa vitória !

De repente, deu uma fome danada no meu companheiro Dedo Moído... Eu então lancei aquela isca cavalona por sobre uma árvore e pedi ao piloteiro para atracar o barco bem debaixo dos galhos dessa árvore. Não se passou muito tempo e começou a escorrer um líquido doce lá de cima. Pedi ao Pé Moído para abrir a boca de modo que o líquido caísse direto na sua goela. Explico: a iscona tinha vazado uma caixa de abelhas lá no alto da árvore e aquilo que vinha rolando era mel puro, tirado na hora, que nem leite de vaca, e muito saboroso.

Diante da satisfação do meu amigo, que agora já estava com o bucho cheio de glicose classe A, ergui as mãos para o céu a fim de dar graças ao Criador. E, ao unir as minhas mãos, apanhei uma baita jatuarana que estava pulando para fora da água naquele exato momento. O fato é que Pé Moído, com todo aquele mel na barriga, caiu de maduro e bateu com a bunda no estrado do barco. O estrondo da queda certamente tinha assustado aquela imensa jatuarana que, depois de entrar na balança, pesou uns 13 quilos (sem mentira junto).


SURPRESINHA DESAGRADÁVEL...


COISAS DA VIDA...


O FAMOSO PEIXE SERRA, ISTO É, QUE SERRA...


 

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