Certa
ocasião, fui pescar com o
meu amigo Pé Moído lá
pelas bandas do Jamari.
Quando a gente estava
descendo o rio, demos de
cara com um cardume imenso
de apapás. Eram tantos que
faziam a superfície da água
ficar amarela que nem gema
de ovo. Deu competição
entre o Pé Moído e eu:
quem pegaria mais peixes ?
Para sair dessa com a
sucesso, peguei uma
artificial cavalona, engatei
uma linhada zero oitenta com
quinze anzóis na última
garatéia, arremessei bem
longe e recolhi com toda força.
Peguei dezoito apapás de
uma só vez ! E tenho foto
para registrar essa
estrondosa vitória !

De repente, deu uma fome
danada no meu companheiro
Dedo Moído... Eu então
lancei aquela isca cavalona
por sobre uma árvore e pedi
ao piloteiro para atracar o
barco bem debaixo dos galhos
dessa árvore. Não se
passou muito tempo e começou
a escorrer um líquido doce
lá de cima. Pedi ao Pé Moído
para abrir a boca de modo
que o líquido caísse
direto na sua goela.
Explico: a iscona tinha
vazado uma caixa de abelhas
lá no alto da árvore e
aquilo que vinha rolando era
mel puro, tirado na hora,
que nem leite de vaca, e
muito saboroso.
Diante
da satisfação do meu
amigo, que agora já estava
com o bucho cheio de glicose
classe A, ergui as mãos
para o céu a fim de dar graças
ao Criador. E, ao unir as
minhas mãos, apanhei uma
baita jatuarana que estava
pulando para fora da água
naquele exato momento. O
fato é que Pé Moído, com
todo aquele mel na barriga,
caiu de maduro e bateu com a
bunda no estrado do barco. O
estrondo da queda certamente
tinha assustado aquela
imensa jatuarana que, depois
de entrar na balança, pesou
uns 13 quilos (sem mentira
junto).
SURPRESINHA
DESAGRADÁVEL...

COISAS
DA VIDA...

O
FAMOSO PEIXE SERRA, ISTO
É, QUE SERRA...