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ESSA MOITA É MINHA
EZEQUIEL THEODORO DA SILVA
Os pescadores escolados sabem que são muito diversificadas as situações envolvendo "banheiro" onde se possa "cumprir com a inevitável obrigação" na beira de rios, lagos ou lagoas. Se não estiver muito bem preparado, pode inibir de vez os intestinos e sonhar que a barriga está para estourar por falta do devido descarrego. 
 
Existem aqueles que, ao pisar fora de casa para uma pescaria , fecham de vez o buraco de baixo e somente vão reativar o sistema quando retornarem da pescaria. E isto independe do tempo previsto para o divertimento: de meio dia até duas semanas ou mais. Houve até um caso de um noticiário que informava sobre uma chuva de merda na cidade de São Paulo - era um dos pescadores aqui falados, que havia retornado depois um mês lá no Pantanal. Um assombro! Ou melhor, uma verdadeira avalanche de fezes privada abaixo e por sobre a Capital! 
 
Conheci um pescador que, em qualquer caso, levava uma dessas privadas portáteis nas suas pescarias. Era como um trono imperial para esse danado. E o interessante que ele, para não ferir a intimidade da sua peculiar cagada, construía uma casinha, com cobertura de sapé, paredes de lona e portinha de entrada, tendo até um porta-revistas para assinalar aos seus culhões que se tratava de  um ambiente requintado e decente. Ai de quem tentasse entrar nesse espaço reservado! Privada é privado, e estamos conversados...
 
Quando os barrancos são impróprios ou perigosos, o serviço tem que ser feito por cima da borda da embarcação. Aqui as cenas são por demais grotescas para serem descritas, mesmo porque cagar assim é só em último caso, vencendo a vergonha dos companheiros e/ou do piloteiro que olha de lado e compreende que, ricos ou pobres, brancos ou pretos, altos ou baixos,  todos somos iguais nessa inevitável hora. E quando o pescador é levado bater esse tipo específico de ponto é porque está na  "ponta de coitó", com a coisa já surgindo e perigando enlamear as calças em caso de qualquer refreamento.Ui! 
 
Numa caravana de pescaria tipo acampamento lá nas bandas do rio Aquidauana, houve um qüiproquó dos infernos. Cada qual escolheu uma moita para receber os cheirosos presentes estomacais. Os gordos ficaram com as moitas mais próximas; os magros tiveram que se contentar com os matinhos mais distantes - tudo democraticamente pensado para evitar correrias e a saída dos bolotes por entre as bordas da bunda (coisa terrível que às vezes acontece por falta de precauções). Nunca diga dessa água não bebi ou beberei, meu amigo! 
 
No terceiro dia logo de manhãzinha, o Bastião Gordo, bravo como um onça, se acercou do restante do grupo e vociferou: 
- Quero saber quem foi o veado que usou a minha moita. Na hora que vi o estranho monte no meu canteiro de obras não mais consegui colocar as tripas para funcionar. Se eu estourar por aqui não me responsabilizo pelo cheiro e pelo estrago, viu???

    

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