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O MUNDO MÁGICO DOS RIBEIRINHOS BRASILEIROS
EQUIPE PESCARTE

O livro Pratos, Lendas, Estórias e Superstições de alguns Peixes do Amazonas (Folclore do Peixe do Amazonas), editado pelo Governo do Estado em 1988, talvez seja o maior tratado sócio-antropológico já escrito sobre o imaginário dos pescadores ribeirinhos que vivem da pesca e do peixe. Em função do valor inestimável dessa obra para um melhor entendimento do modus vivendi do nosso povo, PESCARTE recupera aqui algumas preciosidades coletadas e registradas pelo seu autor Moacir Andrade a quem rendemos justas homenagens pela pesquisa.  

RECEITAS DE BANHOS 

PARA PAU MOLE (impotência sexual) : Pega-se alguns galhos de erva-cidreira, algumas folhas de malva grossa, folhas de hortelã, sumo de limão, algumas raízes de vassourinha, ferve-se tudo isso, coloca-se ainda quente num alguidar de barro e toma-se banho de assento. Depois de enxuto, passa-se  banha de tartaruga em toda a região sexual e toma-se uma colher grande de xarope da seguinte receita: - Sumo de mastruço, mel de abelha, sumo de jucá, sumo de limão, sumo de catuaba, sumo de casca de algodoeiro. Ferve-se até ficar ao ponto de xarope. 

PARA PESCADOR DEIXAR DE BEBER: Colocar três candirus dentro de uma cuia virgem com raspa de madeira da casa do pescador que bebe, e depois dar essa água para o pescador beber sem que ele saiba do trabalho que foi feito. 

PARA CURAR ENGASGO DE ESPINHA DE PEIXE: Pegar um pedaço de cordão ou cipó, medir o rabo de um gato e amarrar no pescoço da pessoa engasgada. 


O LUGAR EXATO DA MIJADA

Acreditam os pescadores do Solimões que se um homem fazer com que uma mulher fique perdidamente apaixonada, bata matar um anum coroca, tirar o coração, torrar e, com o pó, colocar sobre a urina da mulher que deseja. 

Um dia, um pescador que já andava no encalço da mulher desejada, pois a queria muito, observou quando ela se dirigiu para o interior do cacual de uma propriedade onde se realizava uma grande festa, com a finalidade de urinar, pois essas casas dos beiradões não possuem privadas.

Quando a mulher voltou, o pescador mais que depressa correu para o lugar onde julgou que a jovem fizera pipi e sem perda de tempo puxou de um vidrinho que tinha no bolso e não sabendo exatamente onde a moça mijara, derramou sobre uma grande área o pó de mais de 10 corações de anuns, na esperança de acertar o lugar da mijada.

O resultado não custou a aparecer, mas foi ao contrário de desastroso, em vez da moça que esperava conquistá-la, mas de 20 caboclos pescadores começaram a correr atrás do pobre rapaz,  perdidamente apaixonados." (p. 392)

    

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