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PEIXE GRANDE NÃO É SONHO: É REALIDADE
RUBINHO ALMEIDA PRADO
FOTOS: WAGNER CIPRIANO

Um dos maiores sonhos do pescador esportivo é poder experimentar a sua técnica com um peixe de grande porte. Se a briga com esse peixe, que requer certa experiência, não é o maior desafio, o mesmo não pode ser dito da possibilidade de encontrar grandes exemplares nos dias de hoje. Destruição das matas ciliares, queimadas, garimpo, poluição urbana, etc. são alguns dos inúmeros problemas que o peixe enfrenta para sobreviver e ter oportunidade para crescer.

Outros fatores negativos aumentam o problema: a intensa e descontrolada pesca profissional; muitos pescadores amadores que continuam sem entender que o bom de pescar é "pescar". O sacrifício de um peixe ou outro para um momento de degustação é aceitável dentro do esporte, mas matar por prazer, para provar "competência" em pescaria, é um ato indesejável.

A Natureza precisa de parceiros reais e não de depredadores, ou seja, pessoas inescrupulosas que não percebem o quanto é importante a preservação do meio ambiente para garantir empregos e o desenvolvimento social gerado pelo turismo da pesca. Se em algumas regiões do país a situação é lamentável em termos de desgaste dos nossos recursos naturais, em outras encontramos novos e modernos projetos voltados a uma exploração consciente desses recursos. Nestes, a Natureza é respeitada, cuidada, porque tomada como matéria-prima essencial.

POUSADA SALTO DO THAIMAÇU

Na Pousada Salto do Thaimaçu, nas adjacências da cidade de ALTA FLORESTA (MT) e às margens do Rio São Benedito (sul do Pará), a pesca esportiva é realizada no mais alto nível e os peixes, ao invés de diminuírem, são cada vez mais fartos, atraindo pescadores de diversos países.

Trabalhando em parceria com o PNDPA (Programa Nacional de Desenvolvimento da Pesca Amadora), o projeto é uma experiência bem sucedida de exploração do turismo em uma área tida como reserva de pesca esportiva, onde se pode pescar diversas espécies de peixes no sistema pesque e solte. Não é permitido levar nenhum exemplar para casa.

A PESCA DO JAÚ

Nas águas preservadas do São Benedito, ter um peixe de grande porte do outro lado da linha é um sonho fácil de ser realizado. JAÚS criados habitam os poções formados junto às corredeiras. Por ser um dos maiores bagres de nossos rios, este peixe de couro tem competência para valorizar qualquer disputa com o pescador, que não raramente se frustra ao ter sua linha rompida em algum obstáculo durante a luta. A pesca do jaú é gratificante, pois, além de muito peixe em quantidade e qualidade, ela pode ser praticada desembarcada, caminhando pelas pedras e água, sentindo toda energia de uma Natureza espetacular e em estado quase virgem.

Com equipamento de pesca pesado, linha entre 0,80 e 1,00 mm (menos que isso é bobagem tentar), chumbo de bom tamanho e isca de peixe pescado no local, basta estar com um bom guia e razoável preparo físico para poder sentir um dos melhores momentos da pesca esportiva: a força e energia de um grande adversário.

JAÚ NA LINHA: A GRANDE SENSAÇÃO

A água brava das corredeiras faz o chumbo rolar para o fundo do poço movimentando a isca na região de ataque. O jaú chega manso, abocanha a isca sem nenhum constrangimento, cabeceia uma, duas vezes, toma coragem e parte firme e seguro com a linha "nas costas" em busca de um abrigo para saborear sua presa.

                                            

A linha retesa como uma corda de violão e pode se romper a qualquer momento no contato com as pedras do fundo. A adrenalina sobe e com ela a dúvida do momento de fisgar. Com a vara preparada, acompanhamos o peixe por alguns segundos para que acomode a isca dentro da boca. Ao sentir a linha bem pesada, é chegada a hora de tomar coragem e ferrar com vontade.

Segue-se uma inesquecível emoção. Caso não estivéssemos conscientes de ser uma pescaria, poderíamos dizer que engatamos um trator ladeira abaixo. Com essa corrida toda, em um ambiente com pedras por todos os lados e água forte, não podemos dar muita chance ao peixe. Anzóis de tamanhos variando entre 8 e 10/0 são suficientes para a pescaria. Estando bem amolados e desprovidos de farpa, eles facilitam a fisgada e machucam menos o peixe na hora de retirá-lo para a soltura. A preocupação de que perderemos o peixe se estivermos pescando com anzol sem farpa é compreensível, mas podemos atestar que, no caso do jaú, a farpa é totalmente desnecessária, bastando não bambear a linha durante a briga.

Outros equipamentos valiosos para este tipo de pescaria no Rio São Benedito são: um sapato com sola apropriada para evitar escorregões nas pedras e um protetor para o cabo da vara (desses que se coloca na cintura), útil para não machucar a nossa barriga durante a pescaria.

Com o sistema de "pescar e soltar", os grandes jaús continuarão a habitar águas do rio São Benedito e estarão sempre a postos para desafiar o pescador que se empolga com este tipo de aventura.

Vale a pena conferir.

                                                      ROTEIRO

 

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