- A
RIQUEZA DE PEIXES DO RIO
GUAPORÉ

- RUBINHO
ALMEIDA PRADO
- FOTOS:
JOSÉ ANTÔNIO FAUSTINO
Navegando
pelo Rio Guaporé, partindo da
cidade de Pimenteiras, uma
reflexão me veio em
pensamento: “É uma vergonha
para nós brasileiros estarmos
há tantos anos atrás da Bolívia
em termos de preservação
ambiental”.
Do
lado direito de quem desce o
Rio Guaporé, a Bolívia
possui o PARQUE
NACIONAL NOEL KEMPF ,
onde cuidar do meio ambiente
é uma regra básica seguida
à risca. Há uma fiscalização
intensa, sendo terminantemente
proibido entrar em qualquer área
do parque sem uma autorização
especifica.
Lembro-me
de uma vez, há alguns anos,
pescando na cachoeira Vale da
Jatuarana, no Rio Pau Sina,
um dos rios dentro do parque,
que um biólogo de La Paz,
responsável por nos
acompanhar nesta pescaria, se
mostrou bastante preocupado
com o volume de chumbo que
permanecia na água,
proveniente das linhas
rompidas nas pedras e a perda
inevitável da chumbadas. Na
época, este detalhe me
pareceu de pouca importância,
mas hoje tenho visto vários
comentários a este respeito e
algumas pessoas gastando tempo
para pensar em desenvolver uma
chumbada ecológica, feita de
materiais alternativos, como
argamassa, resinas não
poluentes, vidro, etc.
Deste
lado do Guaporé o Brasil
ainda patina sobre o tema e
quase nada tem feito nesse
sentido. E isto faz com que o
pescador esportivo viaje cada
vez mais longe de Pimenteiras
se quiser encontrar uma boa
variedade e quantidade de
peixes. Mata ciliar
prejudicada e pesca predatória
sem nenhum controle são os
aspectos que mais chamam atenção
e sugerem um grande trabalho
de conscientização a ser
feito na região. Além disso,
os brasileiros ainda obrigam
os bolivianos a trabalharem
duro na fiscalização para
impedir a entrada ilegal em áreas
do parque.
VIAJANDO...
Por
já ter feito excelentes
pescarias no Rio Guaporé, e
querendo rever as variadas
pescarias que fiz em passado não
muito distante, o PESCAVENTURA
organizou uma viagem à região,
levando um grupo de 8 turistas
de Londrina (PR) e de Jaú (SP) para mais esta aventura.
Embora
exista a possibilidade de
hospedagem em alguns hotéis
na cidade de Pimenteiras,
minha opção foi navegar no Barco
Hotel Uirapuru de
modo a nos afastar das áreas
mais pressionadas pela pesca
profissional.
Programada
para cinco dias de pesca,
nosso destino, rio abaixo,
equivaleu a cerca de 5 horas
de navegação em voadeira com
motor 25 hp. Para tentar o
tambaqui, entramos numa região
conhecida como Três Bocas e
Corredeira do Sapucaia. Esta
espécie, tão comum nas mesas
dos restaurantes do norte do
país, foi um dos objetivos
mais ousados do grupo, em função
da dificuldade de sua pesca
com equipamento esportivo,
vara e carretilha ou molinete,
ao invés das redes
profissionais.
Na
época desta pescaria,
setembro/2000, com o rio
baixo, o TAMBAQUI
pode
ser encontrado em águas
fortes, sendo esta a
corredeira do Sapucaia um
ponto bastante conhecido e
famoso regionalmente.. O grupo
havia levado isca natural
(minhocuçu),
recomendada para quem
for para lá com este
objetivo.
PEIXES
Uma
das vantagens do Guaporé é
ser um rio com grande
diversidade de peixes - um
forte atrativo quando se pensa
em turismo de pesca esportiva.
Um outro ponto que também
desperta curiosidade do
pescador é a possibilidade de
se defrontar com exemplares de
grande porte.
Neste aspecto, o Rio
Guaporé também marca sua
presença, pois em suas águas
vivem algumas das maiores espécies
brasileiras.
Nesta
região o pescador poderá
sentir na ponta da linha os
divertidos tucunarés,
as briguentas cachorras,
apapás e corvinas,
todos atacando as iscas
artificiais. Na pesca com as
naturais, a “boca vai
esquentar” com as grandes
pirararas, os capararis
e cacharas, os tambaquis
e as poucas comuns pirapitingas.
Os
tucunarés são fartos,
não sendo raro fisgar algumas
dezenas por dia. A espécie
adaptada à região é o Cichla
monoculus, também
conhecido como amarelinho
pitanga entre outros
nomes, dependendo da
localidade. Birrento e ousado,
seu peso, raramente,
ultrapassará os três quilos.
Se pescado com equipamento
leve e iscas menores, sua
pesca é das mais agradáveis
e esportivas.
Já
para os grandes peixes o
equipamento deve ser compatível
com a briga peso pesado. Na
pesca do peixe grande, nada
pode dar errado. Se tudo
estiver “nos trinques’, o
peixe já tem a maior parte
das chances. Se algo falhar,
é aprender com o erro e
evitar repeti-lo na próxima
vez.
Se
você ainda não pensou em
sentir um tambaqui ou
mesmo uma pirapitinga
na outra ponta da linha, pode
estar perdendo um programa
rico em emoções. Sua chegada
é firme e vigorosa e pesa na
linha como gente grande,
forte, mas cauteloso. Com uma
corrida vigorosa é páreo
duro e difícil na queda.
ROTEIRO

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