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PINTADO
SOLIDÁRIO EM PORTO EPITÁCIO
ADALBERTO
FRANCISCO DE OLIVEIRA FILHO -
BETINHO
FOTOS:
MARCELO TADEU RASTEIRO
Recebi um convite do amigo
"Tchello" para uma
pescaria de tucunarés na Estância
Turística de PRESIDENTE
EPITÁCIO ,
interior de São Paulo, divisa
com o Estado do Mato Grosso.
Como eu não pescava há
bastante tempo, aceitei o
convite. E até gostei da idéia
porque atualmente esse novo
ponto de pesca vem sendo muito
comentado nas rodas de
pescadores.
O tempo passou e, no dia e
hora combinados, nós nos
encontramos e embarcamos na
excursão realizada pela
Tsuri
Sport Pesca
. A viagem pelos
670 quilômetros transcorreu
dentro da mais perfeita
harmonia.
PEIXES
POR TODOS OS LUGARES
Chegando no local, saímos bem
cedo para explorar os pontos
de pesca. Não sei se poderíamos
classificar como pontos de
pesca, pois os peixes estavam
em todos os lugares. Tanto que
nas duas primeiras horas de
pescaria já havíamos pescado
uma grande quantidade de
tucunarés, traíras, jejuns e
cigarras.
Continuamos pescando em
diferentes pontos para
tentarmos traçar um padrão
de ataque dos peixes com base
nas estruturas, profundidades,
cores de iscas, etc. Por
desconhecermos totalmente o
local, confeccionei e levei
uma infinidade de moscas
novas, já que eu pescaria
exclusivamente com equipamento
de fly. Por sugestão
do piloteiro, resolvemos
entrar numa lagoa cercada de
coqueiros e grandes árvores
nativas. Novamente, muito
sucesso.
PINTADO
NO FLY: PURA EMOÇÃO !
Ao atingirmos o outro lado da
lagoa, numa estrutura cheia de
galhos submersos, o
"Tchello" teve um
grande rebojo na sua isca de
superfície, mas não ferrou.
Imediatamente arremessei no
mesmo local um streamer bem
colorido - não deu outra,
parece até que o peixe
esperava a isca cair na água
para abocanhá-la.
Que força tinha aquele peixe
! A primeira vez que ele veio
à superfície levamos um
susto, pois tratava-se de um
grande PINTADO
. Que emoção ! Jamais havia
pescado um em toda a minha
vida e fui agraciado com esse
troféu inesquecível.
Ao ver o tamanho do peixe numa
vara tão frágil, o piloteiro
rapidamente levou o barco para
o meio do lago para que travássemos
uma luta limpa e leal. E que
luta ... O peixe afundava e
tomava linha quando e o quanto
queria, pois, por mais que eu
desejasse pará-lo, era quase
impossível para a fricção
da carretilha. Além do mais,
a minha maior preocupação
era com a espessura e resistência
do tippet (parte mais
fina do líder) de 12 libras.
OUTRO
PINTADO... "DE CARONA E
SOLIDÁRIO"
Depois daquela briga
fenomenal, quando eu e o peixe
já dávamos sinais de cansaço,
ele voltou para a superfície.
Nesse momento, as corridas
ocorreriam a não mais que um
metro de profundidade e, para
nossa maior surpresa, surgiu
um outro grande pintado,
nadando embaixo daquele que
estava no anzol.
Jamais esquecerei essa cena !
O companheiro livre seguia os
movimentos do outro que estava
preso no anzol. Era possível
ver o seu dorso tocar no corpo
do companheiro e acompanhar
seus movimentos.
Que gesto de coragem e ousadia
! Que solidariedade ! Virtude
que é tão rara entre nós
humanos. Caso tivéssemos
levado um puçá, ele seria
facilmente capturado. Fico me
perguntando: será que ele
estava preocupado com essa
possibilidade ? Creio que não.
O mais importante era a
mensagem transmitida ao amigo
capturado: tenha a certeza
que estarei contigo até o fim
...
E assim ele fez. Enquanto
o peixe fisgado esteve na água,
podíamos ver o seu
companheiro apoiando e
amparando seu corpo. Ao
embarcarmos o peixe para as
fotografias, acompanhamos o
seu mergulho para o fundo da
água.
SENTINDO
A SATISFAÇÃO DA SOLTURA
Batemos as fotos de maneira tão
rápida, pois temíamos pela
sobrevivência daquele belo
peixe que tanta emoção tinha
nos proporcionado. Não sei se
foi por sorte ou pela boa
qualidade do fotógrafo, mas
as fotografias ficaram ótimas.
A cena mexeu tanto conosco,
que nenhum dos companheiros
questionou se o peixe dava
medida ou não. Ao retornar o
valente para a água é que
percebi o quanto ele estava
cansado. Tirei os parasitas da
sua grande cabeça enquanto
esperava sua recuperação e
movimentei-o para frente e
para trás de modo que a água
corresse pelas suas guelras.
Alguns minutos depois, aquele
lindo peixe se livrou de
minhas mãos e mergulhou de
volta à merecida liberdade. E
como foi bonito vê-lo
partindo.
O pintado deslizou seu grande
corpo comprido nas águas
verdes do lago e exibiu aquela
pintura perfeita que só a Mãe
Natureza sabe fazer. Sorri e
agradeci .... Ao olhar para
meus dois companheiros,
observei os grandes sorrisos
estampados na face de cada um
.
Pouco falamos a respeito do
assunto, mas, no silêncio,
passamos a compreender muito
mais profundamente o valor da
liberdade para todos os seres
deste planeta.
Levantei-me, abri os braços
(gesto que sempre faço nas
minhas pescarias) e exclamei:
- "Amigos, estou pescado
! Se quiserem, podemos ir
embora !"
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Adalberto
Francisco de Oliveira
Filho

Betinho,
é proprietário da
Betinho Fly & Co,
empresa especializada
em produtos para
confecção de moscas,
acessórios,
ferramentas e
equipamentos de fly.
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Estevão de Magalhães,
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Paulo. Telefone:
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ROTEIRO

Revisão
e edição: Ezequiel Theodoro
da Silva
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