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NADANDO COM UM MARLIM
ELEN CARNEIRO
EU ADORO PESCAR!!!

Sempre? ? ? Não...

Às vezes uma pescaria sem peixes pode ser muito chata. Em outras, embora com peixe, o local pode ser feio e sujo ou ainda podemos ter o azar de ter que conviver com um cara “mala” no grupo. É por isso que a escolha do local e do parceiro são fundamentais. Que me perdoem os pescadores mais aficionados, mas a pescaria tem que ter, além de peixe, emoção, prazer, lugares bonitos, desafios e resultados. Se algo sair errado, só tendo uma boa companhia e resignação para curtir um programa destes, além da paciência já típica dos pescadores. 

EM VITÓRIA PARA PESCA OCEÂNICA 

Pois bem, passando férias em VITÓRIA (ES), desfrutando da convivência de pessoas maravilhosas, com conteúdo e experiências diferentes, a saída para pescar fazia parte do programa. A princípio estava fora. Férias, descanso, relaxamento, não cabe pescaria (até porque trabalho com isso) e ainda mais no mar, onde o barco navega o dia inteiro em busca do peixe e...aquele cheiro de óleo, aquele balanço interminável ... já passei muito mal para encarar uma dessas sem ser por obrigação. Mas, como nada é definitivo, me vi na lancha em companhia de pescadores sedentos e ansiosos por mais uma aventura.

A pesca oceânica requer alguns cuidados básicos e fundamentais: dormir cedo, alimentação leve e preparo físico. Em férias, no Espírito Santo, é claro que na noite anterior saímos com amigos capixabas, bebemos um monte de chopes e dormimos tarde. Mas, na manhã seguinte, estávamos todos lá, preparados. Eu e Rubinho, seu filho Marcos, alguns amigos e contando com a experiência do comandante Luiz Guilherme, além da gracinha do Bruno (filho do dono da lancha).  

A participação de Luiz Guilherme foi fundamental para minha decisão de participar dessa pescaria. Afinal, o TURISMO PESCAVENTURA divulga e vende viagens a Vitória para pescarias oceânicas e, ao meu ver, só se vende bem aquilo que se compra e, apesar de todos os avais do Rubinho, queria conferir pessoalmente, como turista.  

JÁ ZARPANDO... EM BUSCA DOS MARLINS BRANCOS

Zarpamos já um pouco tarde por causa dos preparativos necessários: lanches para todos, abastecimento e preparação da lancha. Animados, seguimos em busca dos marlins brancos, peixe nobre e muito esportivo.

Minha experiência anterior não era nada animadora. Há dois anos, participei de uma pescaria na lancha "Renata", de Ângelo Coutinho. Muito conforto, comodidade e muita diversão, já que era um passeio. Eis que entra um peixe e me ofereci para trabalhá-lo. Colocaram em mim um cinto apropriado para apoiar a vara e assim trabalhar melhor o peixe. Senti sua força e peso e acreditei se tratar de um grande peixe, pois brigava, tomava linha, não se rendia. Exausta, cheguei até a pensar em pedir ajuda durante o recolhimento, mas, como mulher independente que sou, agüentei firme, braço doendo, equipamento no limite. Recolhi o peixe com sofrimento e determinação e quando chegou, que decepção: um atum de +- 7 kg e 60 cm, um protótipo de peixe que deu tanto trabalho e requereu tanta força que não acreditei ser capaz de trabalhar um peixe nobre e grande de fato. Mas essa nova saída ao mar azul era mais um desafio.

MARLIM NA LINHA: MUITA EMOÇÃO

Uma das vantagens em ser mulher é o cavalheirismo dos rapazes que após a primeira fisgada me deixaram trabalhar aquele peixe de bico. Erroneamente impressionada, percebi que o marlim branco é mais fácil de trabalhar que o atum.

O fato de estar disputando com um peixe lindo no seu meio ambiente, me deu um estímulo e uma vontade de vencer inquestionáveis. A cada pulo, a cada subida, sentia sua força e sua vontade de se livrar daquele objeto pontiagudo que o arrastava para onde não queria ir. Passou a ser uma questão de honra trazer o peixe para o barco. Após muitos saltos, sonorizados pelos meus gritos de exclamação, de prazer, ele chegou e se entregou cansado. Ao embarcá-lo para tirar o anzol e muitas fotos, a emoção era completa, com os cinco sentidos estimulados: tato – o toque, passar a mão; olfato – o cheiro de maresia e do peixe; paladar – a água salgada; visão – a cena fotográfica; audição - tocava Phill Collins no som da lancha e o meu coração batendo descompassado.  

Que presente !  

E pensar que o melhor ainda estava por vir!!!  

 

 

MAIS EMOÇÕES AINDA!

Como o peixe brigou muito com equipamento equilibrado, chegou cansado, então pulei na água azul, com máscara de mergulho e luvas e nadei com o peixe seguro pelo bico até ele se recuperar e seguir seu rumo sozinho.

Uma sensação única e indescritível!!!

Steven Spielberg foi de fato muito bom ao fazer o filme “Tubarão”, pois pelo menos para mim é quase impossível entrar no mar sem ouvir aquela música anunciando o ataque: TAN, TAN, TAN,TAN,TAN.......

Mas superando essa primeira sensação, mergulhei no meio do oceano, com meu peixe recém pego sendo liberado diretamente pelas minhas mãos.  

É até hoje o maior prazer que já senti, a maior proximidade com esse ser marinho e a maior interação até hoje registrada. Foi perfeito!!

A partir daí, curti o passeio e torci para que meus companheiros tivessem a mesma sorte que eu... e tiveram...  e eu ainda peguei mais um Dourado que me impressionou com a variação de cores no seu corpo durante a briga, mas coitadinho, ficou preterido pelo marlim e conto sua estória em outra ocasião.  

De fato, pude comprovar a competência e dedicação do comandante Luiz Guilherme e da tripulação da lancha que durante todo o dia procuraram os melhores locais e as melhores iscas, o que resultou em um grande dia de pesca e de lazer, temperado com o bom humor característico dos capixabas.  

ROTEIRO

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