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MUITA
VIDA NO RIO DAS MORTES...
RUBINHO ALMEIDA PRADO
Quem vai pescar na Bacia do
Araguaia pensando em fisgar
somente peixes está
redondamente enganado.
Há
muito que "pescar"
num lugar com tanta beleza ! Não
há uma curva em no leito dos
vários rios sem que as
águas sejam margeadas praias
de areia branca.
E
o por do sol nos faz sentir
pequenos tamanha a sua
grandeza e o seu colorido.
Estar na Bacia do Araguaia e não
gastar tempo para contemplar e
se encantar com a Natureza é
limitar a nossa pescaria
somente ao peixe que, por
sinal, deve ficar na água
para se reproduzir e gerar
receita de turismo. Trazer de
lá somente fotos e lembranças
é o ideal, pois elas
permanecerão vivas para
sempre.
Eu estava retornando à região
depois de 7 anos, quando
gravei, na Pousada Kuryala,
uma série de programas
levados ao ar por volta de 93.
Desta vez, sem os compromissos
de gravação e acompanhando
um grupo de turistas amantes
da pesca esportiva, eu poderia
pescar mais à vontade e
curtir inteiramente a viagem.
Para este grupo, todo ele de São
Paulo, o PESCAVENTURA planejou
e organizou uma viagem
bastante especial. Para poder
conhecer o Araguaia bem de
perto, montamos com a POUSADA
KURYALA
uma aventura em seu
barco hotel Piratinga. Dormir
sobre as águas do Araguaia e
do Rio das Mortes é um privilégio
e oferece a oportunidade de
pescar mais e observar o por
do sol bem de pertinho.
Empresários de vários
setores se juntaram nesta
aventura em busca da
adrenalina de ter a força de
uma grande pirarara do outro
lado da linha ou se emocionar
com o ataque agressivo de um
tucunaré.
APRESENTANDO AS FERAS, OU
MELHOR, OS PEIXES...
Pirarara
(Phractocephalus
hemiliopterus):
Um dos maiores bagres de
nossas águas, não sendo raro
exemplares com mais de 30
quilos de peso. Sua cor forte,
com a nadadeira caudal bem
avermelhada, traduz seu nome
na língua dos índios como
"peixe arara". Por
habitar os barrancos
profundos, locais de muitas
galhadas, sua briga é
complicada e vibrante e nunca
se sabe quem será vitorioso,
peixe ou pescador. As chances
do peixe se enrolar em um
galho submerso e romper a
linha é o maior desafio.
Nessa hora, a ação imediata
do guia de pesca que movimenta
o barco da margem para o meio
do rio é fundamental para
garantir o sucesso. As iscas,
pequenas piranhas pescadas na
hora, são bastante eficientes
e são encontradas com fartura
nos mesmos locais de pesca.
Tucunarés: As espécies que
se adaptaram a região
dificilmente ultrapassarão os
5 ou 6 quilos. No Rio das
Mortes, uma infinidade de
lagos garantem muito peixe e
diversão.
RIO
DAS MORTES: AÇÃO E MAIS AÇÃO
Ao pousarmos no aeroporto de
Goiânia, dois táxis aéreos
fretados pela Pousada já
estavam na pista para levar o
grupo até SÃO
FELIX DO ARAGUAIA .
Cerca de duas horas de vôo
passam como o vento, pois
sobrevoar o Rio Araguaia e a
Ilha do Bananal encurta o
tempo em função de tanta
beleza para contemplar.
De São Felix à Pousada, 20
minutos de van e já estávamos
no barco hotel, onde um almoço
caseiro nos esperava , antes
de iniciarmos nossa aventura.
A decisão do grupo foi partir
imediatamente para o Rio das
Mortes, pois a ansiedade de
pescar era enorme. Ao
entardecer, com cerca de duas
horas de navegação, baixamos
as voadeiras em busca das
pirararas.
Já naquela primeira noite
muitas histórias foram
contadas. Vara quebrada,
linhas rompidas e alguns bons
peixes fisgados foram os temas
da conversa. Uma das grandonas,
com quase 35 quilos já tinha
dado o ar de sua graça e
feito o pescador Ricardo suar
depois de 15 minutos de
intensa disputa. Naquela
primeira noite, o sono veio
tranqüilo e os sonhos
recheados com muitas ações
para os próximos dias.
No Rio das Mortes, a pesca,
mesmo farta, não se manteve
constante. Alguns barcos
"arrebentavam a boca do
balão" em alguns períodos,
mas não tinham a mesma sorte
em outros momentos. De
qualquer forma, todo mundo se
divertiu a valer pescando os
tucunarés na primeira parte
do dia, enquanto a água não
esta muito quente, e as
pirararas, durante a tarde.
ARRASTANDO
O BARCO PARA TENTAR A SORTE

Nesta região, às vezes, vale
o esforço de arrastar o bote
para entrar em alguma lagoa
menos pescada. Em uma das
tentativas quebramos a cara,
pois nada aconteceu. O lago
estava praticamente morto, a não
ser por poucos e pequenos
tucunarés, um aruanã
desatento e uma pequena
cachara que resolveu
experimentar a isca
artificial.
Em compensação, na outra
manhã todo esforço foi
compensado com um novo arrasto
de barco. Entramos com um único
barco para evitar assustar os
peixes e nem o motor de popa
foi ligado. Enquanto preparávamos
os equipamentos o guia
conduzia o barco, no remo, com
muita habilidade ao redor das
margens. Da hora que iniciamos
os arremessos até perto do
meio dia, quando retornamos ao
barco mãe, as ações foram
seguidas e dificilmente recolhíamos
a isca sem o ataque de um
agressivo tucunaré.
Foram mais de 40 peixes
variando de 1 a 3 quilos que
retornaram as águas calmas
daquela lagoa, sem contar a
infinidade de ações
perdidas. Para Wagner, que
estava comigo no barco, foi
uma estréia de gente grande,
pois em lugar nenhum do Brasil
é comum tanta ação em um
período tão curto.
AVALIAÇÃO
DA EXPERIÊNCIA
Na semana desta pescaria, por
qualquer razão desconhecida,
os
APAPÁS
, as cachorras e as
bicudas estavam de férias e
praticamente não apareceram.
Mesmo assim, a aventura no Rio
da Mortes foi compensadora.
Com muitas pirararas pescadas
e muitas mais perdidas todos
puderam sentir o que é ter um
destes peixes na ponta da
linha. Somadas a esta fartura,
centenas de tucunarés
completaram a festa e fizeram
desta viagem um momento
inesquecível.
Nesta região do Rio das
Mortes ainda se pode pescar
com "P" maiúsculo e
pelo andar da carruagem e
trabalho de preservação que
vem sendo feito pela Pousada
Kuryala e Barco Piratinga
vamos poder sentir estas emoções
por muito tempo ainda.
Vale lembrar que também
pescamos em vários pontos do
rio Araguaia, mas essa
aventura eu vou contar numa próxima
edição da REVISTA VIRTUAL
PESCAVENTURA. Promessa é dívida
e logo mais ela vai aparecer
por aqui - é só esperar um
pouco.
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