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FLY
FISHING- POR ONDE COMEÇAR
RUBINHO
DE ALMEIDA PRADO
Em
meados da década de 80, tomei
contato com a pesca de isca
artificial e conheci o fly,
uma nova modalidade que estava
começando a se expandir no
Brasil. A beleza e leveza de
seus movimentos me encantaram
logo no primeiro momento. A
partir daí, estabeleci a meta
de que um dia iria pescar bem
naquele estilo.
O auto-didatismo é possível
na aprendizagem do fly, mas
corre-se o risco de adquirir vícios
que limitam o desenvolvimento
do pescador. Há conceitos de
física e mecânica que
precisam ser entendidos. Só
assim se adquire capacidade de
auto-correção, aspecto
fundamental para quem quer
pescar cada vez melhor.

Há várias modalidades de
pesca em geral. Em todas elas,
exige-se suavidade, profunda
integração com a natureza e
muita criatividade. Costumo
distinguir as modalidades pelo
seu grau de passividade e
criatividade. Na pesca com
isca natural, a passividade é
notória, pois se arremessa a
isca e se espera o peixe. No
arremesso de carretilha ou
molinete com iscas
artificiais, a ação do
pescador passa a ser
fundamental para o sucesso. No
fly, brota muita criatividade.
Tudo pode ser feito, cria-se
novos movimentos e é possível
desenvolver uma infinidade de
iscas.
No que tange a equipamentos, não
recomendo a meus alunos saiam
comprando os equipamentos mais
caros do mercado. A relação
custo/benefício tem de ser
avaliada. É possível
aprender e pescar normalmente
com um equipamento de preço
moderado. Só vale lembrar
que, quanto maior for a
qualidade da vara, maior será
sua eficiência. Uma vara número
6 ou 7, carretilha, backing,
linha, líder e algumas iscas
podem trazer grande satisfação
ao pescador. Atualmente, é
possível adquirir um conjunto
destes por cerca de 200 a 300
dólares.
Tudo
no fly é importante, desde a
forma de segurar o cabo da
vara, posição do corpo, do
braço, até um arremesso mais
complexo. Mas, acredito que a
base de tudo está em
conseguir transferir
corretamente a energia à
vara, saber descarregar esta
energia e desenvolver
sensibilidade para sentir o
tempo da linha no ar.
Quanto aos locais, costumo
dizer que é mais fácil
pescar de fly em águas
paradas e protegidas, mas para
cada situação existem técnicas
apropriadas. O vento, por
exemplo, dificulta muito o domínio
da linha. Porém, existem vários
arremessos e técnicas específicas
para dias de vento. Estes
conceitos, se bem aplicados,
podem transformar o vento em
aliado do pescador.

Como recomendação final,
sugiro ao iniciante que
procure entender claramente os
fundamentos do fly. Só assim
ele poderá pescar bem,
sabendo perceber os erros e os
acertos e ter capacidade de
correção. Procure aprender
com pessoas que realmente
dominam as informações. Não
basta acertar por acaso, é
preciso saber os porquês dos
acertos. Trata-se de um estilo
dos mais agradáveis. Aqueles
que ainda não se aventuraram
por estas águas estão
perdendo um maravilhoso estilo
de pescar.
Vale a pena experimentar.
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