(1)
Conte para os amigos do PESCAVENTURA como é que
você entrou nessa de atar moscas. Como começou,
principais influências, etc.
SERGIO
- Pesco desde pequeno, tive grande influência
de meu avô, com quem pescava sempre que íamos
para o Guarujá (litoral de SP). Tenho algumas
iscas de fly de 1950, que vieram do material do
meu avô, mas vim a saber exatamente o que eram
essas iscas com a abertura de uma loja de
flyfishing aqui em SP a Fishing Store. Da primeira
vez que entrei na loja, me deparei com uma pessoa
com um material muito esquisito em cima da mesa,
de primeira, veio à minha cabeça "Corte e
Costura". Foi nesta feita, que conheci o
Jonas - Johanes F. Duarte, e foi justamente ele
quem me apresentou esta arte - Atar Moscas.
Como na época em que comecei, tanto o flyfishing
quanto o fly tying eram completamente
desconhecidos, minhas maiores influências foram
de atadores de fora, como Dave Whitlock, Randall
Kaufmann, Lefty Kreh, Gary LaFontaine, Bob
Blumereich, Hans Weilenmann, entre outros.
(2)
Como você percebe a prática de atar moscas - é
uma arte mesmo? Justifique com alguns porquês.
SERGIO
- Com certeza, atar
moscas é uma arte, pelo menos eu a encaro assim.
Você reproduzir iscas, sejam elas peixes,
insetos, pequenos mamíferos com materiais que vão
de pêlos, penas a materiais sintéticos. Com
certeza é uma prova de atenção, paciência e
esmero. Muitas vezes, o fly tying vai além de
reproduzir, com exatidão, iscas para a pesca com
suas maravilhosas Salmon Flies e também as
realistics - estas iscas são arte pura.
(3)
Dizem que atar moscas é uma verdadeira terapia
para quem a pratica. Você concorda ou discorda?
Por que?
SERGIO
- Realmente, atar moscas é uma excelente
terapia. Nem sempre a gente tem a disponibilidade
de pescar, mas sempre temos a disponibilidade para
atar moscas. Quando você esta confeccionando suas
iscas, você está atento, mas relaxado, e
pescando virtualmente. É uma arte muito
prazerosa.
(4)
Como você vê o desenvolvimento do fly fishing no
Brasil e como o "atar mosca" se
relaciona com isso? Vai a reboque ou é uma coisa
independente?
SERGIO-
O número de adeptos vem crescendo muito em nosso
meio, mas o de interessados está crescendo em uma
velocidade ainda maior, pois muitos querem saber
exatamente o que é e como é, para, mais à
frente, iniciar na modalidade. No geral, atar
moscas é o passo seguinte de quem se inicia na
modalidade, pelo fato da necessidade de muitas
iscas diferentes para pescar. Outro fato que
influencia também é que, no geral, o
pescador de fly também quer pegar os peixes com
suas próprias iscas; neste caso, a satisfação
é total. Eu acho que tanto a pesca com mosca e o
ato de fazer as iscas são coisas
interdependentes, que caminham juntos e para um
mesmo fim: a diversão.
(5)
É difícil atar moscas? Para quem quer começar
a aprender, o que deve fazer?? Dá pra fazer essa
iniciação "sozinho" ou é preciso um
professor? Quanto custaria o equipamento básico
hoje?
SERGIO
- Atar moscas não é difícil. Uma boa
comparação seria tocar violão - para tocá-lo não
é difícil, mas para ser um excelente
instrumentista é necessário muita dedicação,
estudo e treino. Para quem quer começar,
existem vários kits prontos para venda no
mercado; esta é uma boa solução, pois nesses
kits vem a morsa, algumas ferramentas e materiais
para a confecção das iscas, por um preço em
torno de US$ 50,00. Estes materiais e ferramentas,
no geral, não são de excelente qualidade, mas é
um bom começo já que saber comprar e escolher as
ferramentas e principalmente os materiais é um
pouco difícil no início. Iniciar ou não
sozinho é uma coisa que depende de cada um. O
custo para começar sozinho, no geral, é alto,
pois você irá desperdiçar bastante material até
saber como ele se porta na água, no lançamento....,
e demanda um tempo maior. Realmente, atar moscas
é um assunto muito vasto, seja em relação às
iscas ou aos materiais ou às ferramentas;
portanto, um curso irá lhe proporcionar um bom
atalho e principalmente um começo bem
fundamentado. Com relação a valores, para quem
quer começar, poderá optar pelos kits por um
valor que gira em torno de US$ 50,00; depois,
outros materiais e ferramentas poderão ser
comprados aos poucos, não demandando um grande
investimento.
(6)
Aproveite este instante para fazer uma propaganda
dos cursos que você dá. Quais são? Como
contactar? Quanto custa?
SERGIO
- Os cursos são realizados através da Escola
Pescaventura... são fornecidos todos os
materiais e ferramentas. Existem vários cursos
disponíveis, que vão desde o Básico, passando
por Avançado e finalizando com Avançados Específicos.
O contato poderá ser feito através da Escola
Pescaventura ou pelo telefone 0**11- 3862-2262. O
preço do curso Básico é de R$ 120,00.
(7)
Pensando nos peixes esportivos brasileiros,
quais os que atacam moscas e quais as moscas
preferidas (se houver as principais). Por exemplo,
os tucunarés atacam quais, mais freqüentemente.
SERGIO
- Ao contrário
do que muitos pescadores que ainda não se
iniciaram no fly pensam, a pesca com mosca não é
apenas uma técnica utilizada na pesca de trutas
em rios de degelo, mas sim muito eficiente na
pesca de peixes predadores em geral, sejam de água
doce ou salgada. O objetivo é sempre identificar
o alimento que o peixe que se quer pescar está
comendo e imitar sua forma e movimento, na
tentativa de iludi-lo, fazendo-o se alimentar do
engodo. É difícil dizer exatamente qual
isca é a preferida para determinada espécie,
pois existem muitos outros fatores que influenciam
também, como velocidade da correnteza,
luminosidade, transparência da água, tipos de
alimentos de consumo do peixe disponíveis no
local, entre outros. Como o exemplo que citou, o
Tucunaré, indicaria streamers (iscas que
imitam peixinho; uma que gosto muito de utilizar,
a ponto de dizer que ele é um coringa na minha
caixa de iscas, é o Cave's Rattlin Minnow
- é uma isca com bastante brilho, que nada
invertida, diminuindo a possibilidade de enroscos
e, além de tudo, tem o rattlin que é uma ampola
de vidro ou plástico com esferas dentro e que,
quando chacoalhado, emite um som que atrai a atenção
do peixe. Embora esta seja uma isca das mais
eficientes, ainda prefiro, quando possível, sua
pesca na superfície com divers e poppers,
nada mais bonito do que ver o ataque do peixe
nessas iscas.
(8)
Além de atador, você é também um pescador. E
se é um pescador, tem história para contar.
Conte uma história de pescaria que você guarda
na memória e que você julga interessante aos
amigos pescaventurenses.
SERGIO
- Essa é boa e com certeza inusitada. Como
minha criação é pescaria de costão, estava há
alguns anos pescando no morro do Maluf à noite,
sempre costumei fazer isso, chegava por volta de
umas 9 horas da noite e voltava umas 10 horas da
manhã. Numa daquelas noites escuras de mar
agitado, estava eu pescando e de repente um puxão
na linha, a fisgada se seguiu, e começou a briga
com o peixe, um cação martelo, de
aproximadamente 1, 5 kg. Assim que retirei o anzol
da boca do peixe, saí em disparada para a lateral
do costão para liberar o peixe. Os outros
pescadores, não entenderam nada, até que um
perguntou... Onde você vai com esse cação aí?....
Respondi que iria mais abaixo para soltá-lo.....
Ele disse então... Não solta não, dá para
mim!.... Eu disse.... esse aqui, não vai para a
panela não! Depois de soltar o peixe,
ansiedade a mil, coloquei novamente a linha na água....
o coração batendo, e as ondas também. Vejo, sem
acreditar, minha vara envergar muito... pensei....
é o pai dele que veio dizer obrigado! Puxa daqui,
leva linha dali.... e os pescadores que estavam lá
se aglomeraram em volta, todos, inclusive eu,
tentando ver se conseguíamos identificar o que
era, mas como a noite estava escura, não deu. A
vara estava envergando quase até seu ponto de
rompimento, a linha, dava tudo o que podia, eu já
estava tremendo, pois já havia se passado quase
20 minutos de briga, não havia meio de trazer o
peixão. Veio então, um zelador de um prédio da
frente, com um farolete, pois nem com as lanternas
dava para ver o tamanho do monstro lá em baixo,
.... ele joga o foco de luz para onde a linha se
dirigia e grita..... É UM SACO ENORME!
Ninguém se agüentou em pé de tanto rir. Muito
embora não tenha sido um peixe, mas sim um saco,
"foi adrenalina de montão", que se
seguiu de pura alegria. Essa história, para mim,
é inesquecível!
(9)
Finalizando, fale pra gente sobre o seu site. Como
vai indo, esforços que você vem fazendo,
acessos, etc...
SERGIO
- Há dois meses e meio atrás (abril/2001)
lancei o site Pesca com Mosca. Seu
enfoque é, como o próprio nome diz, a
pesca com mosca (flyfishing). Na verdade, esse
projeto sempre esteve na minha cabeça, pois faz
bastante tempo que navego em sites de pesca
pesquisando o fly como também sou consultor de
outros sites, como o The Fishing World www.fishingworld.com.b
, e também o Black Bass In Brazil
(este encerrou suas atividades); sempre tive a
vontade e intenção de difundir a Pesca com Mosca
e esse foi o meio. Para mim, só faltava mesmo
conseguir dominar os conceitos de html para poder
montar e colocar o site no ar. Nada que um curso não
resolva. Em um mês fiz o curso, montei as páginas
e coloquei o Pesca com Mosca no ar. Fazer você
mesmo o site traz muitos benefícios no que se
refere às atualizações, pois elas podem ser
quase em tempo real e até mesmo à própria
composição das páginas das matérias. A
idéia realmente foi ir em direção à
auto-suficiência e controle total do site para
ter uma base sólida. Espero que com o tempo o
Pesca com Mosca passe a ter uma cara própria;
para isto, a participação do usuário é muito
importante. Com relação aos acessos, eles
estão crescendo dia a dia: no mês de maio
tivemos mais de 2000 visitas, com 45.000 hits para
as páginas. Vários países têm acessado
regularmente, como Espanha, Argentina, Chile, Japão,
Alemanha, Holanda, Estados Unidos, UK, Suécia.
Aproveito para agradecer aos usuários, pois todo
meu empenho em manter a qualidade do Pesca com
Mosca está sendo condecorado pelos seus acessos.
Obrigado!
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www.pescacommosca.com.br
Dedicada
a arte de atar mosca. Recém saída do
forno, um dos sites que prometem e vem
complementar os sites que tem sua coluna
de fly, mas não dão muito valor ao atado
de iscas. Vale a pena a visita.
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CONVERSE
COM O AUTOR: semarchi@sanet.com.br
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