- PESCARIA
EM GRUPO - A NECESSIDADE
DA INTERAÇÃO
- DAN
BUCKER JUNIOR
A
pesca esportiva tem sido
considerada um esporte solitário;
um ou dois pescadores descendo
um rio ou juntos em cima de
uma embarcação, testando as
suas destrezas e habilidades
dentro da Natureza. Mais
recentemente, entretanto, a
grande quantidade de torneios
de pesca vem enfatizando os
aspectos competitivos da
pesca. Assim, geralmente
pensamos numa dupla de pessoas
ou em grandes grupos de
pescadores, com pouca atenção
para qualquer coisa que se
coloque entre esse dois pólos.
Em
alguns casos, entretanto, as
pescarias envolvem um número
razoável de pescadores numa
situação em que se que
beneficia o grupo como um todo
e não a competição entre os
participantes. Acampamentos
selvagens, expedições
contratadas e reuniões de
membros de um clube - tudo
isto depende da interação não-competitiva
do grupo para que tenha
sucesso. Mas muito pouco é
falado sobre a maximização
dos esforços do grupo em tais
situações.
Ao
grupo a que pertenço (FOCAS -
Fellowship of Christian
Anglers Society) foi
oferecida a oportunidade de
usar uma casa-flutuante para
10 pessoas. Por sermos um
bando de pescadores
multifacetados, ficamos muitos
excitados com essa chance e
decidimos trabalhar juntos
para garantir o sucesso da
nossa pescaria. Isto se tornou
muito importante quando o
nosso cozinheiro de plantão,
Finn Outburst, nos disse:
"Se você não ferrarem
alguns peixes para a
frigideira, vocês vão comer
somente peixinhos de
peneira."
É
claro que não somos
predadores e ninguém do grupo
jamais pensou em encher
isopores para levar peixes
para casa. Mas, ir pescar sem
comer peixes frescos, pescados
na hora, não é uma boa
pedida. Somos pescadores
esportivos, mas não negamos
que, quando vamos pescar,
trazemos peixes para que o
cozinheiro também tenha o
trabalho de preparar alguns
pratos com peixes de bom
tamanho. Daí, inclusive, a
necessidade de decisões
coletivas iniciais para saber
quem - ou qual o barco - vai
ficar encarregado pelo prato
do dia.
Arrisco
dizer que quanto melhor e mais
objetiva for a interação do
coletivo de
pescadores, menor o número de
problemas na caravana ou
expedição. Principalmente em
situações adversas, quando
os peixes não estão querendo
morder, essa regra se torna
mais verdadeira ainda. Isto
porque ninguém pode esconder
o leite ou então obter prazer
somente para si, deixando de
lado as necessidades dos
companheiros. Daí eu ter
elaborado alguns conselhos
para o sucesso das pescarias
grupais:
-
dividir
a responsabilidade de
levantamento (antecipado
ou in loco) de informações
sobre a pescaria no local
escolhido. Melhores
estruturas, distâncias,
iscas, cuidados, etc,
estabelecendo os padrões
de pesca e informando
todos os companheiros;
-
chegando
ao local da pescaria,
analisar os mapas
existentes, rotas, perigos
para a navegação,etc. -
fazer isso numa reunião
inicial, não deixando
ninguém de fora (saber se
orientar num espaço de
pesca é, no mais das vez,
uma questão de sobrevivência);
-
em
duplas ou trios, fazer as
averiguações iniciais em
diferentes estruturas de
pesca ou em diferentes
pontos, tendo em mira o
critério da ação ou
produtividade; a região
de pesca se transforma num
quebra-cabeça e cada
dupla ou trio tem que
juntar as partes em benefício
da satisfação e sucesso
de todos;
-
após
o banho e o jantar, é
importante que o grupo se
reúna para partilhar
informações e, a partir
dessa troca, tome novas
decisões a respeito dos
dias futuros de pescaria;
recomendo que essa tarefa
seja feita de maneira
descontraída e prazerosa,
e que se evite
burocratizar a pescaria
com muitas normas e regras
(coisas que os peixes nem
sabem que existem!!);
-
os
parceiros dos barcos devem
ser trocados diariamente
sempre que possível -
isto faz com que novas
amizades possam acontecer
através de conversas
diferenciadas, estilos de
pesca, equipamentos, etc.
Quando
se trata de torneios de pesca,
tudo bem que cada indivíduo
se vanglorie do sucesso obtido
isoladamente. Mas, quando se
trata de pescarias em grupo,
devemos assegurar que todos,
indistintamente, obtenham
sucesso e prazer na expedição
ou caravana. Para isto, os
recursos do próprio grupo têm
que ser conhecidos e
compartilhados entre todos os
pescadores.
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- Dan
Bucker Junior mora
em Denver, Colorado, e
pesca há mais de 25
anos. Produziu
este texto a pedido da
Editoria do PESCARTE, como uma
forma de contribuir para
com o desenvolvimento da
pesca no Brasil.
Agradecemos de coração!
- Tradução:
Ezequiel Theodoro da
Silva
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