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MOLINETES
E CARRETILHAS - QUANTO DE
LINHA?
WILSON
MORAIS

Um
dia desses, presenciei uma
discussão acalorada sobre o
quanto comportaria de linha
(de um diâmetro tal) um
molinete que indicava uma
determinada quantidade de
linha de um outro diâmetro.
Essa dúvida ocorre quando o
molinete ou carretilha não
tem a indicação
correspondente ao diâmetro da
linha que pretendemos usar.
O assunto me intrigou, pois
quando se tem, por exemplo,
uma quantidade indicada de 150
m de linha 0,40 mm, e queremos
saber quanto caberia nesse
mesmo molinete, se usar linha
0,20 mm, a resposta que, de
cara, tendemos a dar é 300 m.
Isso porque 0,40 mm é o dobro
de 0,20 mm; portanto, pela lógica,
caberia o dobro. Seria isso
mesmo ?
FAZENDO
A CONTA
Errado!
A conta que se faz não é
essa. Temos que levar em
consideração que, quando
estamos falando de diâmetros
diferentes, estamos também
tratando de circunferências
cujas áreas são diferentes.
Explico melhor: considerando
que a linha é um corpo cilíndrico,
se tirássemos uma fatia de
cada uma teríamos a nossa
frente duas circunferências
bastante diferentes no que se
refere às respectivas áreas.
Voltemos aos bancos escolares:
área da circunferência é
igual a p r2 , onde
"r" (raio), no caso
da linha 0,20 mm, é 0,10 mm,
portanto o resultado seria
0,0314 mm2. No caso
da linha 0,40 mm, o resultado
seria 0,1256 mm2.
Vemos, então, que a relação
entre as duas áreas é de 4
vezes, e não de duas como supúnhamos
inicialmente. Assim, onde
cabem 150 m de linha 0,40 mm,
caberão 600 m de linha 0,20
mm. Da mesma forma, se
fizermos as mesmas contas
tomando uma linha de 0,60 mm
em relação a outra de 0,20
mm, teríamos uma relação de
9 vezes (o quadrado da relação
entre os diâmetros - 32).
Ou seja: onde cabem 150 m de
linha 0,60 mm, cabem 1.350 m
de linha 0,20 mm!
UM
MODO MAIS PRÁTICO DE CALCULAR 
A
fórmula prática para se
chegar à metragem de linha
possível é: tome o diâmetro
correspondente à linha mais
grossa e divida pelo diâmetro
da linha mais fina. Você
encontrará, então, a relação
entre os dois diâmetros.
Eleve esta relação ao
quadrado e multiplique este
resultado pela quantidade de
linha mais grossa indicada no
molinete.
Exemplo:
Molinete indica 150 m de linha
0,40 mm, qual a quantidade
possível de linha 0,20 mm ?
Resposta: 600 m, porque:
0,40
/ 0,20 = 2 (relação entre os
dois diâmetros)
22 = 4 (relação
entre os dois diâmetros
elevada ao quadrado)
4 X 150 m = 600 m (quadrado da
relação x quantidade de
linha mais grossa é igual a
quantidade da linha mais fina
comportada pelo molinete)
Evidentemente,
se partirmos de uma indicação
de linha mais fina para
sabermos a quantidade de linha
mais grossa, a última operação
não é de multiplicação e
sim de divisão da quantidade
de linha mais fina pelo
quadrado da relação entre os
diâmetros.

EM
RESUMO
Resumindo,
as operações consistem em:
-
do
diâmetro maior para o
menor:
Quantidade
de linha mais grossa (LG)
multiplicada pela relação
entre diâmetro maior e diâmetro
menor (DM/dm) elevada ao
quadrado, é igual à
quantidade de linha mais
fina (LF), ou seja: LG
x (DM/dm)2 = LF
-
do
diâmetro menor para o
diâmetro maior:
-
Quantidade
de linha mais fina (LF)
dividida pela relação
entre diâmetro maior e diâmetro
menor (DM/dm) elevada ao
quadrado, é igual à
quantidade de linha mais
grossa (LG), ou seja: LF
¸ (DM/dm)2 =
LG
OUTROS
FATORES A CONSIDERAR
Claro
que, em termos numéricos,
teremos um resultado exato.
Entretanto, na prática temos
que levar em conta, ainda, os
seguintes fatores, que
contribuem para a diminuição
ou aumento da capacidade da
bobina do molinete:
1–
O diâmetro indicado pelos
fabricantes das linhas varia
cerca de 10% para mais ou para
menos; portanto, pode aumentar
ou diminuir o total,
dependendo do caso;
2–
Ao enrolarmos a linha, por ser
ela um corpo cilíndrico,
sempre haverá espaços entre
os seus anéis que
impossibilitarão uma acomodação
absolutamente perfeita;
3–
Os molinetes nem sempre trazem
a indicação correta das
quantidades de linha que
comportam;
4–
Por último, não é de
surpreender se, eventualmente,
a metragem do carretel de
linha adquirido estiver
incorreta.
LEMBRETE
FINAL
Devo
dizer que resolvi fazer estas
contas todas porque, numa
breve pesquisa que fiz entre
pescadores de praia, que usam
grande quantidade de linha,
percebi que a maioria não
tinha certeza sobre a forma de
chegar às quantidades
corretas. Tais contas poderão
ser úteis para dirimir dúvidas
dessa natureza. É bom lembrar
ainda que, antes de achar que
fomos lesados na compra da
linha e culparmos o lojista
por eventuais
"faltas", é
recomendável que façamos a
conta corretamente, para não
pagar mico!
E
chega de explicações! Minha
cabeça já está inchada de
tanto número. Afinal, eu fiz
o curso de… Direito! E faz
muito tempo. Perdoem–me os
craques em números pelas
explicações muito detalhadas
mas, igual a mim, muitos
pescadores devem ter lá suas
dificuldades, e não custa
nada simplificar um pouco as
coisas. Minha atividade é
outra, e nela não tem esse
negócio de PI, diâmetro,
quadrado disso ou daquilo etc.
Tive que fuçar um bocado pra
descobrir essas coisas, que são
sopa para uns, mas terríveis
para outros simples mortais. Pão
ou pães, é questão de opiniães,
como dizia Guimarães
Rosa, o mestre.
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WILSON
MORAIS

Escritor
e pescador. É também
um dos editores do
site www.navedapalavra.com.br,
que vem conquistando
muitos usuários em
função de sua
qualidade e da Revista
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