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ANZÓIS REDONDOS NO CATCH & RELEASE
EZEQUIEL THEODORO DA SILVA

Dentre os símbolos mais utilizados para representar as atividades de pesca no mundo, o anzol é, sem dúvida, o mais freqüente. Trata-se de um ícone de valor universal, capaz de ser compreendido, no seu formato, por diferentes sociedades e culturas.

A invenção do anzol se esconde nos tempos mais longínquos da história da humanidade, sendo difícil precisar a época do seu surgimento. Entretanto, pode ser afirmado que o anzol foi, ao lado da lança, um dos primeiros instrumentos feitos pelo homem para garantir a sua subsistência e sobrevivência. Os materiais para a sua fabricação evoluíram ao longo das diferentes etapas civilizatórias, passando do osso pontiagudo ao espinho retorcido e à madeira torneada até chegar às diferentes ligas de metais.

Em pesca esportiva, não se pode negar que o contacto com o peixe, para torná-lo presa e lutador, é garantido pelo anzol ou anzóis unidos num garatéia. Por isso mesmo, o anzol torna-se o principal fator que pode gerar ferimentos e, o que não é muito incomum, a própria morte dos peixes, dependendo da força e/ou local da fisgada.

Uma solução simples e rápida para minimizar o problema é sugerir ao pescador que "amasse a farpa" dos anzóis que vai usar, abrindo assim perspectivas para um maior equilíbrio no embate pescador-peixe. Entretanto, principalmente no que se refere à pesca de grandes troféus com iscas naturais, não são todos os pescadores que estão dispostos a seguir essa recomendação. O que fazer então ?

OS ANZÓIS REDONDOS OU CIRCULARES

Pesquisas realizadas vêm mostrando que os anzóis redondos ou circulares são os mais apropriados para o catch & release à medida em que a mortalidade causada pelo ação do anzol decresce significativamente em várias situações de pesca e mais intensamente na pesca de espera ou poitada, com iscas naturais. Além disso, os resultados das observações mostram que os anzóis redondos, quando usados, aumentam o grau de precisão ou acerto na fisgada, sem gerar maiores ferimentos no peixe.

Isto ocorre porque os peixes são fisgados pelo lado (ou canto) da boca. Ou seja: depois que o peixe morde - ou engole - a isca, o anzol redondo, em função do seu formato circular, desliza internamente até se enroscar no lado da boca do peixe, geralmente do lado direito.

Peixes fisgados com anzóis redondos raramente escapam ou morrem - podem ser trabalhados calmamente até chegarem à borda do barco ou à beira do barranco. Além disso, o próprio formato circular do anzol facilita a sua retirada para posterior manejo visando fotografias e conseqüente soltura.

PARA PEIXES DE ÁGUA SALGADA OU DE ÁGUA DOCE

Os anzóis redondos não se colocam como uma novidade aos pescadores oceânicos mesmo porque há muito tempo são utilizados na pesca com iscas naturais dos seguintes peixes: espada, atum, salmão e tarpon. Portanto, a sua eficácia está mais do que comprovada, apontando sempre para a certeza das fisgadas e, ao mesmo tempo, um índice muito pequeno de mortalidade.

A conclusão de que o anzol redondo pouco ou me nada fere o peixe, aumentando as chances de sobrevivência do mesmo, fez com que as suas aplicações se estendessem para os peixes de água doce. Nos EEUU, os "redondos" são usados para conduzir as iscas naturais vivas a bass de boca pequena (smallmouth bass), vários tipos de catfish e bass listrado (stripper bass). Os índices de acertos nas fisgadas ultrapassam os 90 por cento e, com a rolagem do anzol para o lado da boca do peixe, os ferimentos são inexistentes ou mínimos, garantindo o manejo e a soltura.

A aplicabilidade dos anzóis redondos ainda está para ser testada e avaliada junto aos peixes das bacias hidrográficas brasileiras. De qualquer modo, as perspectivas são otimistas mesmo porque é muito grande o número de pescadores que se utilizam de iscas naturais na busca dos grandes troféus, como dourados, jaús, pintados, piraíbas, filhotes, pirararas, etc. - espécies de grande porte que geralmente atacam com maior intensidades as iscas vivas.

Com base nas investigações feitas nos EEUU a respeito da eficiência e eficácia dos anzóis redondos em sua relação com a filosofia do catch & release, fica a sugestão para que os pescadores brasileiros passem a utilizá-los mais freqüentemente, relatando, em paralelo, os resultados obtidos.

Bibliografia

STANGE, Doug. "Curious, Marvellous, Amazing - Circle Hooks for Freshwater." IN In-Fisherman, March 1999, Vol 24, Nb. 02, p. 10-15. (Curiosos, Maravilhosos, Extraordinários - Anzóis Redondos para Água Doce)

WOOD, Ian (editor). The Dorling Kindersley Encyclopedia of Fishing. London: Dorling Kindersley, 1994. "Hooks", p. 54-57

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