- SOBRE
TAGS E O SEU CRIADOR -
FRANK MATTER III
- GEORGE
REIGER

Neste
mês (agosto de 2000), os
cientistas de pesca,
conservacionistas marinhos e
grandes pescadores esportivos,
de todas as partes do mundo, vão
se reunir na Instituição
Oceanográfica Woods Hole em
Massachusetts para homenagear
Frank Jewett Mather III, que
morreu na última primavera
com 89 anos.
Nascido
em uma família de artistas,
Mather preferiu a ciência.
Ele estudou física no Colégio
Williams e arquitetura naval
no MIT. Depois de sua graduação,
ele começou a desenhar iates.
Com o apoio de dois amigos,
ele criou um iole que podia
ser usado por navegações de
final de semana ou adicionado
às competições de barco a
vela. Porém, no exato momento
em que essa inovação estava
sendo construída em Hong
Kong, os japoneses invadiram a
colônia britânica.
Depois
da guerra, ele mudou de rumo
completamente e se tornou um
pesquisador associado na Woods
Hole.
Mather
era um pescador oceânico fanático.
Quando não encontrava uma
companheiro para pescar, ele
ia sozinho. Ao ficar mais
idoso, a sua esposa Natalie
insistiu para que ele
contratasse um acompanhante.
Durante os meses de verão, os
garotos do colégio achavam
que seria fácil pescar com o
velhote e passar o resto do
tempo correndo atrás das
meninas. Eles logo entenderam,
entretanto, que Mather
acordava às 4 da madrugada e
ficava no rio até à noite -
7 dias por semana. Depois de
duas ou três semanas, a maior
parte dos seus
"companheiros" veio
embora a fim de se recuperar
do cansaço do Verão!
MANTENDO
REGISTROS
Enquanto
isso, Mather guardou os
registros de todos os peixes
pescados por ele. Quando esses
registros e outras observações
pessoais não batiam com as
supostas verdades sobre as
migrações e padrões de
crescimento dos peixes de bico
(especialmente atum bluefin),
Mather decidiu que iria
substituir as suposições por
fatos.
A
marcação e a soltura dos
peixes que podiam ser
recapturados mais tarde era o
caminho mais indicado para o
início da coleta de dados,
porém quais os melhores métodos
e materiais a serem utilizados
não eram assim tão óbvios.
Mather
queria um tag que pudesse ser
pregado sem haver a
necessidade de remoção do
peixe da água. Além disso,
tinha que ser um material que
até mesmo os leigos pudessem
usar. Ele sabia que, caso a
pesquisa sobre o atum ficasse
apenas por conta de um pequeno
círculo de pesquisadores dos
pesqueiros pelágicos, levaria
décadas para taguear o mesmo
número de peixes que centenas
de pescadores voluntários
poderiam taguear em poucos
anos.
PRODUZINDO
O TAG

Em
meados de 1950, Mather
desenhou o tag que até
hoje é usado na maioria das
pesquisas sobre pesca oceânica.
Esse tag consiste de uma farpa
- originariamente de aço
inox, evoluindo para nylon acrílico
duro - grudada num rótulo cor
de laranja ou amarelo sobre são
escritas as informações
essenciais que relatam onde e
quando o peixe foi capturado e
o seu tamanho. O tag é
colocado numa sovela de aço
inoxidável na ponta de um
cabo e então introduzido no
peixe.
Mather
visitou os clubes de
pescadores da Nova Escócia até
a Florida a fim de solicitar
dinheiro e apoio, e verificou
que a maioria dos pescadores
de peixe de grande porte eram
curiosos sobre a vida dos
peixes que perseguiam. O
entusiasmo coletivo desses
pescadores foi reforçado em
1959, 5 anos depois que Mather
fizera os testes de campo com os primeiros tags em peixes
menores na entrada de Long
Island Sound, quando dois do
atuns tagueados foram
recapturados nas proximidades
da costa francesa.
Através
de um exaustivo levantamento
de todas as referências sobre
o atum bluefin - começando
pelas afirmações de Aristóteles,
de que a espécie migra do Atlântico
à parte leste do Mediterrâneo
a fim de desovar -, Mather
verificou que o bluefin do Atlântico
constitui um estoque único,
com vida prolongada que se
movimenta do Círculo Ártico
ao Cabo da Boa Esperança e
dos Mares Negro e do Norte ao
Golfo do México.
Ao
longo dos últimos 50 anos, o
programa de tagging de Mather
confirmou essa teoria. Atuns
gigantes tagueados nas Bahamas
foram recapturados ao sul do
Equador nas proximidades do
Brasil e em regiões distantes
como o norte da Noruega. Em
geral, o tempo mais longo de
vida para um atum tagueado foi
de18 anos - ainda que alguns
indivíduos tenham vivido 30
anos - enquanto que a maior
distância percorrida por um
atum migrante foi a de um
peixe solto nas Bahamas e
recapturado na costa da
Argentina.
Os
pescadores esportivos
exerceram um importante papel
na pesquisa. Na maior parte do
tempo em que os dados foram
coletados, 4639 dos 4796
bluefin tagueados foram pegos
e soltos por pescadores
amadores. A grande maioria
dessas solturas (3459) foi
feita por pescadores que
pescavam com suas próprias
lanchas na região de
Massachusetts à Carolina do
Norte. E a mais famosa
recaptura durante esse período
foi a de um bluefin solto
perto do Cabo Hatteras e pego
novamente, 811 dias mais
tarde, no sudeste da Itália.
BATALHANDO
PELO BLUEFIN

Por
volta de 1970, quando o
Departamento de Comércio dos
EEUU procurou melhorar a nossa
balança comercial apoiando os
esforços dos pescadores
comerciais em matar e vender
para o exterior todos os atuns
gigantes que pudessem achar,
Mather gastou dinheiro do próprio
bolso para ficar em
Washington, tentando convencer
as autoridades para o fato de
que o bluefin do Atlântico não
é capaz de tolerar muita
pressão pesqueira porque a
maior parte deles não começa
a desovar até que tenham
atingido a idade de 5 anos. Em
outras palavras, os bluefin não
se reproduzem tão rapidamente
quanto o Japão é capaz de
produzir câmeras,
computadores e VCRs.
Mas
os biocratas desprezaram os
dados de Mather pela
irrelevante razão de que ele
não possuía um diploma de
biologia. Durante um dos
violentos encontros ao qual nós
comparecemos juntos no escritório
central do National Marine
Fisheries Service, Mather
chegou à conclusão que a
nome mais desprezível para
xingar uma pessoa era
"Administrador".
A
onda administrativa começou a
virar ao contrário somente
quando o número de bluefins
caiu para menos que 10 por
cento da população total,
estimada em 1950. Naquela
altura dos acontecimentos, o
colapso era tão evidente que
até mesmo o administrador
mais ignorante tinha que se
curvar à necessidade de
medidas conservacionistas.
Os
dados que documentaram os
fracassos das pescarias
nasceram, em grande parte, do
trabalho feito pelo circuito
global de cientistas e
pescadores, organizado por
Mather, que tinha tagueado
peixes suficientes para
comprovar o declínio dos
atuns ao longo dos anos. Esses
dados ainda serviram para
delinear as políticas de
recuperação da espécie no
mundo. Essa rede agora envolve
34000 participantes
registrados, muitos dos quais
se tornaram conservacionistas
politicamente ativos por decisão
própria.
Frank
Mather não poderia ter nos
deixado um legado melhor do
que esse.
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- Tradução:
Ezequiel Theodoro da Silva
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